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29/07/2010: CNA prevê redução de área de milho e crescimento da soja no Sul

Com melhor rentabilidade, a soja ganhará área do milho na região Sul do Brasil na próxima safra (2010/11), disse nesta terça-feira (27) a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu.

A perda de área do cereal para a oleaginosa na região Sul repetiria algo já registrado em 2009/10, quando o plantio de soja cresceu 7,8 por cento ante 08/09 e o de milho verão recuou mais de 20 por cento na mesma comparação, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A soja e o milho concorrem em área nos Estados sulistas. "Em comparação com o milho de verão, a soja continua como melhor alternativa. É esperada uma redução de área de milho de verão e consequente aumento na área de soja na região Sul", declarou a senadora, após reunir-se com representantes de dez federações de agricultura nesta terça (28).

A avaliação da CNA confirma análise feita na segunda-feira pela consultoria Céleres.

Na colheita passada (09/10), o Brasil obteve um recorde de produção de soja, com o aumento de área visto também nas outras regiões do país, e com boas condições climáticas para o desenvolvimento das lavouras. A Conab estimou a safra em 68,7 milhões de toneladas, mais de 10 milhões de toneladas superior a 08/09.

A presidente da CNA não deu detalhes sobre sua expectativa de aumento de plantio em comunicado, mas considerou que as condições também são favoráveis para a soja no Centro-Oeste, a principal região produtora da oleaginosa no país.

Na região Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, já predomina a produção de soja no verão, com o milho sendo plantado na segunda safra (safrinha) apenas após a colheita da oleaginosa, no primeiro trimestre do ano.

Mas a CNA também acredita em crescimento da área de algodão no Centro-Oeste no verão, "reflexo da valorização da pluma no mercado internacional".

BALANÇO 09/10

Embora a colheita de grãos e oleaginosas do Brasil em 09/10 esteja estimada em um recorde de 146 milhões de toneladas, os produtores sofreram com preços baixos, segundo a confederação.

Os preços da soja, milho e arroz caíram, na média, 13,26 por cento em relação ao ano passado, segundo nota da CNA.

Mas para 10/11 as perspectivas são melhores em termos de custos, notou Kátia Abreu.

Para a próxima safra, que começa a ser cultivada em meados de setembro no Centro-Oeste, estima-se uma queda de 10 a 15 por cento nos gastos com insumos, em meio a preços mais baixos dos fertilizantes, que respondem pela maior parte do custo.

Mercado internacional causa reação no preço da soja

O preço da soja reagiu um pouco este mês. A alta é reflexo da situação do grão no mercado internacional.

O preço da saca de soja na região de Maringá vem subindo em julho. Passou de R$ 32 do começo do mês para R$ 34,50, preço da terça-feira. Mas ainda está abaixo do valor médio, comercializado no mesmo período do ano passado, que era de R$ 41,30.

O superintendente de negócios da Cocamar José Cícero Aderaldo explicou o que está provocando a alta. "O clima para as lavouras americanas tem sido não constante. Tem tido semanas com climas ruins, o que tem afetado as cotações nas Bolsas de Chicago, e também a demanda, que continua bastante firme. Grandes importadores, como a China, tem a cada mês mostrado que o volume previsto para a importação deles será superado tranquilamente. Então, esse maior consumo mundial faz com que haja essa firmeza no preço", disse.

Soja: Clima favorável neutraliza reação

Se a previsão climática para esta semana for confirmada, tudo indica que agosto, mês em que o potencial produtivo das plantas é definido, deve começar com chuvas e temperaturas ideais nos principais setores que produzem a oleaginosa. Até sábado, estão previstas pancadas somente em pontos isolados e, com relação às temperaturas, apesar de os EUA estarem no período mais quente do ano, as máximas devem seguir próximas do normal. Segundo analistas, esse cenário favorável neutraliza ações mais arrojadas no mercado, já muito vendido.

Fonte: Portal do Agronegócio / Notícias Agrícolas / Planeta Arroz



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